Quarta, 20 de outubro de 2021
Remoção de porta-contêineres libera Canal de Suez e perdas começam a ser calculadas

O navio de transporte de contêineres Ever Given já não está mais atravessado no Canal de Suez e estima-se que a navegação já foi retomada. As autoridades egípcias informaram que 367 navios aguardavam passagem.

O navio Ever Given, com 400 metros e 200 mil toneladas, foi removido da margem, onde permanecia encalhado há seis dias. Para aliviar a carga, funcionários do canal retiraram cerca de 20 mil contêineres.

As manobras de rebocadores dirigidas por uma empresa holandesa, especialista em resgates de embarcações, conseguiram corrigir a posição do navio em 80%.

O porta-contêineres já flutua e está agora quase paralelo às margens, com a popa afastada da costa quase 100 metros. Assim que seja movido para uma secção mais larga do canal, será permitida a navegabilidade, adiantam as autoridades locais, citadas na BBC.

As equipes de resgate esperam a maré cheia para retomar os trabalhos.

A interrupção do Canal de Suez tem impacto em cerca de 12% do comércio global. O canal permite uma ligação mais curta entre a Ásia e a Europa, por meio do Mediterrâneo. A rota alternativa é contornar o Continente africano, pelo extremo sul, circuito que demora pelo menos mais duas semanas.

O acidente também está influenciando o preço do petróleo. O barril já ultrapassava os US$ 53 no fim da semana passada.

O Ever Given está a serviço de uma empresa de Taiwan. Uma tempestade de areia e ventos fortes podem ter sido a causa do desvio do curso, contra a margem.

Há cerca de uma semana a embarcação estava encalhada, impedindo a circulação de uma das rotas mais movimentadas do mundo.

Autoridade do Canal de Suez anuncia que todos os navios em espera já cruzaram

Todos os “navios em espera” desde que o “Ever Given”, encalhou no Canal de Suez em 23 de março já deixaram esta via navegável estratégica, anunciou neste sábado (3) a Autoridade do Canal de Suez.

“O almirante Osama Rabie, presidente da SCA, anunciou neste sábado que todos os navios em espera (…) cruzaram” o istmo de Suez, de acordo com um comunicado da autoridade.

O “Ever Given”, com mais de 400 metros de comprimento, foi desencalhado em 29 de março após uma longa e complexa operação.

O navio de bandeira panamenha, operado pelo armador taiwanês Evergreen Marine Corporation, foi então rebocado para o Grande Lago Amargo, no meio do Canal de Suez. Naquela mesma noite, o tráfego foi retomado entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo.

Um total de 422 navios, carregados com 26 milhões de toneladas de mercadorias, permaneceram bloqueados, segundo a SCA.

Os 61 últimos que aguardavam a vez para cruzar o canal o fizeram nas últimas horas, além de “outros 24 novos navios”, segundo o comunicado.

Cerca de 19 mil navios cruzaram o canal em 2020, segundo a SCA, ou seja, uma média de 51 navios por dia.

Após desencalhe de navio, empresas agora começam a calcular perdas

Com as cargas atrasadas, o bloqueio pode desencadear uma série de processos movidos pelos afetados, como armadores, fabricantes e produtores de petróleo.

“As questões jurídicas são imensas”, disse Alexis Cahalan, sócio da Norton White, em Sydney, que é especializada em direito do transporte. Segundo o responsável, devido à variedade de cargas transportadas através da hidrovia, como petróleo, grãos, bens de consumo como frigoríficos e produtos perecíveis, ainda vai demorar para saber a dimensão dos pedidos de indemnização.

O navio porta-contentores Ever Given foi desencalhado na segunda-feira (29/4), e o tráfego pelo canal – que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho – foi retomado logo de seguida. O bloqueio, que começou quando o navio bateu na margem na terça-feira passada, foi o mais longo do canal desde que foi fechado durante oito anos após a Guerra dos Seis Dias de 1967. O incidente destacou mais uma vez a fragilidade da infraestrutura do comércio global e ameaças às cadeias de fornecimento já afetadas pela pandemia de coronavírus.

As autoridades egípcias estavam ansiosas para a retoma do tráfego na hidrovia, que é um ponto de passagem de cerca de 12% do comércio mundial e de cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia.

“Coordenar a logística de quem passa primeiro e como isso vai ser resolvido, acho que os egípcios têm uma tarefa e tanto nas mãos”

John Wobensmith, CEO da Genco Shipping & Trading, em entrevista à Bloomberg Television.

Todos os navios que estavam em espera no Canal do Suez já fizeram travessia

O bloqueio deve reduzir os ganhos das resseguradoras globais, que já foram atingidas pela pandemia, tempestades de inverno nos EUA e inundações na Austrália, de acordo com a Fitch Ratings. Como consequência, os preços do resseguro marítimo vão subir ainda mais, disse a agência. A Fitch estima que as perdas podem chegar a centenas de milhões de euros.

Numa possível série de processos, os proprietários das mercadorias a bordo do Ever Given e de outros navios poderão procurar compensação das suas seguradoras devido aos atrasos. Essas seguradoras de carga podem, por sua vez, entrar com ações contra os proprietários do Ever Given, que então recorrerão às seguradoras para proteção.

A Evergreen diz que a japonesa Shoei Kisen Kaisha – proprietária do navio – é responsável por quaisquer perdas. A Shoei Kisen assumiu certa responsabilidade, mas diz que os armadores terão de negociar com os proprietários das cargas.


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