Quarta, 22 de setembro de 2021
Porto de Tubarão (ES) recebe primeiro navio mineraleiro do mundo com velas rotativas

Com projeto liderado pela Vale, a instalação da tecnologia melhora eficiência e reduz emissão de carbono​

O Porto de Tubarão, em Vitória (ES), recebeu, na madrugada desta quarta-feira (28/7), o primeiro navio mineraleiro de grande porte do mundo equipado com sistema de velas rotativas (rotor sails). O navio Sea Zhoushan é um Guaibamax, da categoria VLOC (Very Large Ore Carrier), com capacidade de 325 mil toneladas.

Essa será a primeira operação do navio, que saiu de um estaleiro na China e voltará para o mesmo país carregado com minério de ferro. Ao longo do projeto, foram realizadas modelagens 3D dos portos de carregamento operados pela Vale para analisar a atracação do navio. “O navio foi projetado para atracar em qualquer porto. Não há nenhuma interferência das velas no carregamento, já que elas ficam reclinadas durante a atracação. Tubarão foi escolhido para ser o primeiro pois as equipes de engenharia náutica, inspetoria e operação locais tiveram papel fundamental durante todo o processo de testes e estão colaborando agora com ajustes finos no sistema”, explica o gerente-executivo de Navegação da Vale, Guilherme Brega.

As velas rotativas são rotores cilíndricos, com quatro metros de diâmetro e 24 metros de altura – equivalente a um prédio de sete andares. Durante a operação, os rotores giram em diferentes velocidades, dependendo de condições ambientais e operacionais do navio, para criar uma diferença de pressão de forma a propelir o navio para a frente, a partir de um fenômeno conhecido como efeito Magnus.

São cinco velas instaladas ao longo da embarcação que permitirão um ganho de eficiência de até 8% e uma consequente redução de até 3,4 mil toneladas de CO2 equivalente por navio por ano. Caso o piloto mostre-se eficiente, estima-se que pelo menos 40% da frota esteja apta a usar a tecnologia, o que impactaria em uma redução de quase 1,5% das emissões anuais do transporte marítimo de minério de ferro da Vale.

A instalação da tecnologia, fornecida pelo fabricante finlandês Norsepower, é um projeto liderado pela Vale, que contou com a parceria do armador coreano Pan Ocean para instalação em um de seus VLOCs a serviço da Vale. A empresa Shanghai Ship and Design Research Institute (SDARI) foi responsável pelo design e integração da vela com a embarcação. O estaleiro chinês New Times Shipbuilding construiu o navio já adaptado para receber as velas, que foram instaladas em outro estaleiro, o PaxOcean Engineering Zhoushan, também na China.

A Vale tem estudos sobre o uso da tecnologia de propulsão a vento desde 2016. Com o programa Ecoshipping, a empresa desenvolveu diversas parcerias de cooperação com o ITV (Instituto Tecnológico Vale), universidades e laboratórios no Brasil e Europa. Para este projeto o objetivo era avaliar as melhores condições de operação das velas rotativas na frota contratada e validar os ganhos da tecnologia em termos de redução do consumo de combustível e emissão de CO2.

O navio escolhido estava na fila para ser construído e o tempo entre projeto detalhado até a fabricação e instalação do equipamento foi de um ano. Além dos testes em laboratório e análises numéricas, os engenheiros estudaram a incidência de ventos na rota Brasil-China. “Percebemos que temos uma vantagem competitiva em relação aos nossos concorrentes: a rota Brasil-Ásia tem, em média, ventos mais favoráveis que a da Austrália-Ásia”, completa Brega.


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