Domingo, 18 de abril de 2021
Marcelo de Carvalho – uma visão da indústria naval

Até mesmo a vida profissional de um executivo tem suas peculiaridades. Formado em Medicina, Marcelo de Carvalho hoje é um homem cuja história se confunde com a da renascida indústria naval do Brasil. Aos 38 anos, o também administrador de empresas iniciou a carreira no segmento em 1997 e há sete anos é vice-presidente de Relações Institucionais do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, o Sinaval.

O universo naval começou para Carvalho em 1997, quando o setor dava os proimeiros passos para se reerguer no país. Ele foi contratado pelo estaleiro Promar, com sede em Niterói (RJ) – atual Vard Brasil -, onde começou como auxiliar administrativo. Ele lembra das dificuldades dos primeiros anos na nova função. Ainda em tempos incertos para mercado, a Promar queria ousar e construir embarcações de apoio marítimo. “No início foi muito complicado, pois queríamos fazer algo no Brasil que todos duvidavam. Lembro que éramos chamados de loucos e que nunca daria certo a tentativa de trazer de volta um setor que o próprio governo federal havia abandonado“, recorda.

Carvalho e o estaleiro Promar, no entanto, mostraram-se visionários. Na época, a companhia assinou seu primeiro grande contrato com a Companhia Brasileira de Offshore (CBO), com a encomenda de três embarcações do tipo PSV: CBO Rio, CBO Campos e CBO Vitória. “Daquele momento em diante conseguimos mostrar toda nossa força e determinação na retomada da indústria naval brasileira“, comemora Marcelo de Carvalho.

Desde então, Carvalho usou da mesma visão e criatividade para construir e solidificar sua trajetória profissional na área. Tornou-se chefe de setor do estaleiro depois da fusão com a STX. Em 2007, iniciou a carreira no Sinaval. Coleciona em seu currículo cargos importantes. Foi subsecretário de Indústria Naval da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo de Maricá (RJ) e superintendente de Indústria Naval, Offshore e Portos do Estado do Rio de Janeiro.

Também reúne prêmios, como o de Personalidade Destaque do Setor Naval no III PNQS Acúrcio de Oliveira, recebido no ano passado. Além disso, é representante da bancada patronal no Conselho Executivo de Saúde e Segurança da Confederação Nacional das Indústrias – CNI. “Nesse caminho tive muitos ‘professores’ que colaboraram para meu crescimento profissional“, reconhece o executivo.

No Sinaval, Carvalho atua em diversas frentes. É coordenador nacional de Recursos Humanos dos estaleiros nacionais e membro do Comitê de Qualificação Profissional para o setor, além de cuidar da bancada patronal e técnica da Comissão Nacional Tripartite Temática da Norma Regulamentadora nº 34, que já foi traduzida para os idiomas espanhol, inglês e francês. Também é coordenador e interlocutor das relações trabalhistas com a Secretaria Nacional de Inspeção do Ministério do Trabalho e Renda para a Indústria Naval e das relações intersindicais de negociações dos acordos coletivos do setor.

Apesar da carreira consolidada, o executivo sabe que a indústria naval brasileira ainda tem desafios pela frente. E muito a expandir na geração de empregos. Hoje, os estaleiros nacionais empregam diretamente 84 pessoas e a meta é chegar a 100 mil postos de trabalho com carteira assinada até o fim do ano que vem. “Ainda há muito que realizar em nosso setor. Nossa indústria sofre como qualquer outra em nosso país, mas tenho a certeza que, assim como vencemos o desafio da retomada, venceremos as barreiras da perenidade“, acredita Carvalho.

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