Sábado, 24 de julho de 2021
Grupo Camorim – Crescer e multiplicar

Crises financeiras internacionais intermináveis, perigo de instabilidade econômica no Brasil, dúvidas no segmento de petróleo e gás. O cenário parece de filme de terror para qualquer empresa de grande porte, mas o Grupo Camorim soube escrever seu roteiro em busca de um final – ou melhor, de uma sequência – feliz. Prestes a completar duas décadas de história, a empresa que começou no ramo de serviços marítimos, hoje já tem um estaleiro, expande suas atividades e ganha fôlego para suportar tantas turbulências do mercado.

Os números ratificam toda esta disposição da empresa, que tem sede no Rio de Janeiro e filiais em Niterói, Angra dos Reis, Arraial do Cabo e Macaé, no estado fluminense, além de Salvador e Vitória. O grupo partiu de duas embarcações em 1995, na então recém-fundada Camorim Serviços Marítimos, e agora reúne 87 rebocadores. Some-se a estes, 29 lanchas, 27 balsas e dois batelões. No total, são 1.200 funcionários e atuações nas áreas de apoios marítimo, portuário e off-shore, além de suporte de transporte. Ao mesmo tempo, a companhia tem parcerias internacionais estratégicas no segmento de apoio portuário: a Orizon Maritime, com sede na Grécia, representa o grupo na Europa, enquanto a CMACH International GK é o braço da Camorim na Ásia.

Com esta estrutura e frota, as metas do Grupo Camorim são otimistas. Com perspectiva de aumento substancial no faturamento, no ano que vem a empresa traçará mais um plano de investimento, desta vez para o quiênio 2015-2020. “As perspectivas da Camorim para os anos de 2014 e 2015 são a ampliação do seu market share nas navegações de apoio portuário e apoio marítimo, bem como um incremento de cerca de 15%  do faturamento em cada ano“, avisa Claudio Brito, presidente do Grupo Camorim.

A companhia colhe frutos de um planejamento estratégico eficiente na década passada. Em 2000, o grupo incorporou o Estaleiro Camorim, situado em uma área de cerca de 10.000m² na Ilha da Conceição, em Niterói (RJ). O Estaleiro Camorim tem oficinas de caldeiraria leve, mecânica, elétrica, carpintaria, além de uma carreira para docagem das embarcações. Entre os equipamentos, destaque para o guindaste de balsa com capacidade de 50 toneladas, guindastes sobre rodas de 30t e 3t, empilhadeira de 6t e três guindastes Bantam de 8t.

Em parceria com a ETP Engenharia, o braço naval do grupo tem em sua carteira de encomendas 16 embarcações: são sete LH’s com prazo de entrega até julho de 2015, e nove rebocadores azimutais, para serem concluídos até dezembro do ano que vem. “Para atender nosso cronograma, já entregamos as primeiras embarcações“, explica o executivo. De acordo com o presidente do Grupo Camorim, o estaleiro já entregou o dique flutuante Comandante Affonso e o LH Sepetiba. “O dique flutuante vai agilizar o acabamento, o lançamento das novas construções e o reparo e manutenção das embarcações em operação. O LH será o primeiro apresentado à Petrobras, de uma série de cinco. A programação de entregas deste ano contempla, ainda, dois LH’s e um rebocador“, completa Brito.

Mesmo com um cenário de muitas encomendas e oferta de crédito pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM), o setor naval também passa por um momento de apreensão. Alguns estaleiros entraram em grave crise financeira, com casos de concordata e venda para outros grupos. Para Brito, as novas garantias exigidas pelos agentes financeiros do FMM podem complicar a liquidez de muitas empresas do ramo. “As encomendas existem, os projetos estão priorizados, mas para evitar problemas como os que causaram crises anteriores, há exigência de garantias adicionais para a assinatura dos contratos“, observa.

Além disso, segundo ele, muitos estaleiros também não conseguem manter um cronograma de custos e de conclusões. “Nos contratos já financiados, são exigidas as comprovações das despesas e concomitância entre os cronogramas físico e financeiro. O contrato, que era de financiamento, acaba se tornando um contrato de reembolso. Este tipo de contrato nem todas as empresas conseguem manter“, acredita. O Estaleiro Camorim, contudo, dá a receita para se proteger da nova ordem do mercado. “É preciso revisar o fluxo de caixa e os investimentos. A verba que era utilizada para construção com recursos próprios, hoje é aplicada nas construções financiadas, pois estas já estão comprometidas com os nossos clientes“, explica.

Esta foi a logística para enfrentar também a grave crise internacional. Além de revisar o fluxo de caixa e do foco em qualidade, ter um estaleiro foi um grande aliado para o grupo se manter sólido ante às incertezas do mercado. “A Camorim, assim como as demais empresas de apoio marítimo, não está passando incólume à crise. Concentramos os investimentos na prontificação das embarcações já contratadas, na construção em nosso próprio estaleiro e na melhoria contínua dos nossos sistemas segurança, meio ambiente e saúde, sem os quais não é possível sobreviver no mercado de apoio“, enaltece Brito, que lembra a empresa teve de rever também suas estratégias: “No passado, para cada embarcação financiada, a Camorim construía outra com recursos próprios. Esta estratégia precisou ser adiada“.

Outro acerto no planejamento estratégico da empresa foi a inauguração de outras frentes. Em 2003, o grupo fundou a Oceanboat Serviços Marítimos, voltada para operação de lanchas rápidas e de passageiros e pequenos rebocadores. Seis anos depois, com o crescimento do segmento de óleo e gás, foi criada a Camorim Offshore Serviços, um estaleiro focado no suporte às atividades offshore e manutrenção da frota própria de PSVs, AHTSs e LHs da empresa. Para se ter uma ideia, todas as embarcações de apoio marítimo construídas e contratadas nos últimos cinco anos, sendo 14 LH’s, são da Camorim Offshore.

Já as perspectivas do Pré-Sal implicam em revisão de estratégias e planejamentos. Segundo Brito, a oferta de embarcações em operação atende à demanda atual do Pré-Sal. “O projeto destas embarcações, devido às maiores distâncias e profundidades, deverão ser redefinidos“, acredita. Mas o executivo adianta que a empresa está sempre em busca de novas tecnologias. Uma das receitas para se manter sólida no mercado. “O Grupo Camorim não mede esforços para atender às solicitações dos clientes. Antes da assinatura dos contratos são realizadas reuniões para que eles exponham as suas necessidades. Se uma de nossas embarcações não dispor da tecnologia solicitada, ela será instalada ou incorporada ao projeto de construção“, garante Claudio Brito.

Fonte:
https://www.revistaintermarket.com.br/grupo-camorim-crescer-e-multiplicar/