Domingo, 18 de abril de 2021
Entrevista exclusiva com José Alex Oliva, presidente da Codesp

Intermarket –  Alex , com relação Porto/ cidade pode nos falar sobre suas idéias?

 Alex Oliva – Não há dúvida sobre a necessidade de uma interação maior entre o Porto e a cidade de Santos e a cidade do Guarujá. Essa é uma das prioridades da minha gestão. Meu objetivo é fazer com  que a sociedade conheça o que estamos fazendo e os cuidados que temos, bem como nossa preocupação com a comunidade. Temos procurado contemplar em nossas ações os interesses do porto e da cidade. Isso acontece em todas as áreas de atuação, seja operacional, logística e ambiental. Um exemplo disso foi a escolha de oito projetos da  Baixada Santista para serem patrocinados pela Codesp neste ano. É uma grande demonstração que temos interesse em interagir com a comunidade nos aspectos social, esportivo, cultural e ambiental.  A Pinacoteca Benedito Calixto está entre eles, pois mantém viva a obra de Benedito Calixto, que tão bem retratou os aspectos da atividade portuária santista no passado. 

Uma de minhas principais metas para aumentar essa interação  será a viabilização de um centro de pesquisa dentro das instalações da Codesp para compartilhar conhecimento, por meio de parceria com as universidades da Baixada Santista. Esse centro abrigará um modelo físico do estuário, para pesquisa. Vai ser um local para pesquisa, com auditório, sala de estudo e todas as condições para que possamos ter ali um embrião do novo ciclo de estudos do Porto de Santos e Guarujá.

Intermarket –  Quais são seus projetos na Gestão e Modernização do Porto?

Alex Oliva- O Porto de Santos vem se consolidando como o grande hub port da America do Sul. E um bom exemplo disso é o recorde de movimentação obtido em 2015, de quase 120 milhões de toneladas. O uso de novas tecnologias é crescente e o tamanho dos navios também. Assim, nosso grande desafio é manter o porto nessa trajetória de crescimento. Para isso é preciso manter seus investimentos, capacitar sua mão de obra e modernizar sua gestão.

Quanto à gestão, o Projeto de Modernização da Gestão Portuária (PMGP) é uma iniciativa estratégica que já se encontra em andamento. Por meio dele a empresa está se estruturando para atuar com um novo modelo de gestão, objetivando aumentar os padrões de segurança, sustentabilidade e a qualidade dos serviços prestados, gerando benefícios sociais, retorno financeiro para seu custeio e investimentos. Por meio da implementação desse projeto da Secretaria de Portos, previsto para todas as companhias docas, a Codesp passou a atuar em 2015 com uma nova estrutura organizacional e sob novo estatuto.  Foram aprovados, ainda, pelo Conselho de Administração o Regimento Interno, contendo as atribuições de todas as áreas da empresa, e a proposta de novo Plano de Cargos Comissionados e Funções de Confiança (PCCFC), encaminhado para aprovação ao Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest). A criação da Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), buscando uma gestão integrada e a sinergia dos processos, serviços e contratos também foi um passo importante nessa direção.

Para capacitar nossa mão de obra contamos com o Centro de Excelência Portuária, o Centro de Excelência Portuária (Cenep) do Porto de Santos. Com o Cenep estaremos preparando milhares de trabalhadores para um novo cenário tecnológico portuário, qualificando-os para atingir bons índices de produtividade nas atividades portuárias, em totais condições de segurança.  

Intermarket –  Com relação Operação safra + agendamento

 Alex Oliva – Soma-se às iniciativas para aprimorar a gestão, a implantação de novas tecnologias para dotar o Porto de Santos de uma logística muito mais eficiente. Essas novas tecnologias se converterão em ferramentas de melhora do conjunto dos serviços portuários. Um exemplo disso é o sistema de agendamento da chegada de caminhões ao complexo portuário santista.  Em operação há cerca de dois anos, o agendamento de caminhões foi estratégico para eliminar a ocorrência de congestionamentos no Porto de Santos. Inicialmente ele passou a ser feito por meio do Sistema de Gerenciamento de Tráfego de Caminhões, o SGTC e, posteriormente, foi aprimorado através do sistema Portolog, em fase de testes. Trabalhamos muito para identificar e solucionar pontos de gargalos, a fim de que os embarques das safras agrícolas ocorram sem conflitos.

Ainda com relação ao Portolog, a Codesp pretende deflagrar as licitações para contratação do projeto básico e executivo e para implantação da infraestrutura no primeiro semestre deste ano. Essa ação dotará o Porto de Santos, seus acessos e gates públicos com instalação de equipamentos de antenas de rádio frequência, Rádio-Frequency Identification (RFID), redes e respectivos softwares. Envolverão, ainda, o desenvolvimento de software integrador e a construção de dois portais, sendo um na margem de Santos e outro na margem de Guarujá. Terminais e pátios também instalarão suas antenas para a entrada em operação plena do Portolog. A expectativa é que o sistema entre em operação definitiva ainda neste ano.

Outra ação importante para a acessibilidade do porto é a implantação do Sistema de Gerenciamento de Embarcações, o Vessel Traffic Manegement Information System (VTMIS), iniciada neste ano, após a conclusão do projeto executivo. Esse suporte eletrônico à navegação é dotado de sistema, radares, câmeras de longo alcance e equipamentos meteoceanográficos, com capacidade para prover a monitoração ativa do tráfego aquaviário e o conjunto de informações necessárias à tomada de decisão sobre o melhor uso dos acessos aquaviários ao Porto de Santos. O sistema é fundamental para o complexo santista, que opera quase 6 mil navios por ano.

Serão disponibilizadas informações para o tráfego marítimo dentro do porto, nos berços de atracação e para controle de questões ambientais, ampliando também a segurança da vida humana no mar e apoio em situações de emergência ou de risco de acidente de grandes proporções. Além disso, o sistema proporcionará melhoria na logística, aumento na eficiência e produtividade do complexo portuário santista.

Estamos executando, também, as obras na instalação que abrigará o Centro de Controle do VTMIS. A conclusão dos trabalhos está prevista para o primeiro semestre deste ano. Além disso, estamos finalizando a formalização do convênio com a Marinha do Brasil para implantação da estação remota na Ilha da Moela e do Termo de Cessão de Uso com o Exército, no Forte Itaipu. Para este ano estão previstos a aprovação do Plano de Trabalho e do Projeto Executivo do VTMIS, as obras das quatro estações remotas e instalação de equipamentos oceanográficos, meteorológicos, radares, câmeras de longo alcance, entre outros. Está prevista, ainda, a instalação, testes e integração do sistema. 

Intermarket –  E o Futuro ?

Alex Oliva – A atuação da Codesp continuará centrada na viabilizaçãode infraestrutura necessária para atender o crescimento na movimentação de cargas e na modernização e no aprimoramento de sua gestão, a fim de estabelecer as condições adequadas para atrair os investimentos privados nos terminais portuários.

No último leilão para arrendamento de três áreas no Porto de Santos, realizado pela Secretaria de Portos em dezembro de 2015, foram garantidos investimentos de R$ 2,066 bilhões. As áreas leiloadas estão localizadas na região de Ponta da Praia, para movimentação de granéis sólidos de origem vegetal, pelo consórcio LDC Brasil, formado pelas tradings Louis Dreyfus  Commodities e Cargill; na região do Paquetá, onde a Marimex Despachos Ltda.  movimentará papel e celulose; e na região do Macuco, onde a Fibria movimentará celulose.Esses arrendamentos possibilitarão investimentos pelo setor privado que permitirão ao Porto de Santos alavancar um cenário de revitalização e de ampliação da sua capacidade de ofertar serviços portuários para o Brasil.

Com relação às futuras expansões do Porto, sabemos que, atualmente, ela deve ocorrer para a margem esquerda, que contempla áreas situadas no município de Guarujá e no trecho continental de Santos. Só que esse crescimento tem um limite. E temos que pensar de forma arrojada para planejar seu crescimento quando esse limite for atingido.  Entendo que a expansão futura do Porto de Santos é para fora do canal do estuário (off shore). Construir flutuantes e estruturas que a engenharia nos permita, com sustentabilidade, respeitando o ambiente.

Fonte:
https://www.revistaintermarket.com.br/entrevista-exclusiva-com-jose-alex-oliva-presidente-da-codesp/