BNDES cria nova metodologia para financiamento de empreendimentos no mercado livre de energia elétrica

26/11/2019 16:11 • Sem categoria

O BNDES é líder global no crédito a energias renováveis e propõe novos preços para balizar o financiamento de projetos de energia com venda no Mercado Livre.

O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) estuda nova forma de concessão de crédito para empreendimentos destinados ao mercado livre de energia: preço suporte. A proposta é considerada pela Abraceel e demais agentes do setor uma grande vitória.

O mercado livre de energia tem, atualmente, 34% do parque gerador em construção. O BNDES atento aos movimentos desse setor, em 2018, desenvolveu o conceito do PLD de Suporte (Preço das Liquidações das Diferenças de Suporte), que representa o risco pelo qual o banco está disposto a correr no longo prazo pela energia não contratada de um empreendimento.

Baseado nesse conceito, o BNDES construiu uma carteira com 13 projetos, totalizando 2,7 GW de capacidade, dos quais 818 MW são eólicas.

A Abraceel em parceria com o banco realizou workshop no dia 06.11, com seus associados e profissionais do BNDES para discutir a proposta. A superintendente da área de energia do banco, Carla Primavera, destacou que foi com base nas sugestões recebidas pelos agentes, principalmente da Abraceel, que chegou a três importantes conclusões: i) o PLD suporte é muito atrelado ao Mercado de Curto Prazo; ii) a aplicação do PLD mínimo é ineficaz como teste de solvabilidade dos projetos; e iii) o mercado livre possui referenciais de preços. Em razão disso, foi criado o preço suporte.  

Atualmente, o banco trabalha com financiamentos à Taxa de Longo Prazo (TLP) acrescidos de 1,3% ao ano de spread básico, além do spread de risco, que será o produto da análise do banco.

A política de financiamento de, no máximo, 80% do investimento poderá chegar a 100% dos itens financiáveis. Carla Primavera esclareceu durante o workshop que o preço suporte será corrigido pela inflação e foi calculado com base em um mix de preço de plataformas de comercialização, carteira do banco e preços públicos negociados.

A superintendente explicou ainda que essa nova forma de concessão de financiamento que o banco estuda criar é a proposta mais aderente possível à realidade do mercado livre, capaz de se adequar a diferentes estratégias para que os comercializadores tenham um papel de destaque, oferecendo contratos que sustentem novos projetos.

 Há anos a Abraceel busca uma forma sustentável de obtenção de crédito para a expansão do mercado livre de energia e informa que os debates sobre o novo preço suporte pautarão novos encontros com o BNDES.

Sobre a Abraceel: A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) atua junto à sociedade em geral, formadores de opinião e órgãos de governo para que se consolide no Brasil um ambiente de negócios nas áreas de energia elétrica e gás natural em que a liberdade, a competição e a eficiência predominem, com foco em melhores serviços e preços menores para o consumidor. A Abraceel foi fundada no ano 2000 e atualmente conta com 93 empresas associadas, que incluem algumas das maiores empresas do país, e defende o direito da livre escolha do fornecedor de energia elétrica, a chamada portabilidade da conta de luz, e de gás natural por todos os consumidores.

Nos últimos 16 anos, os consumidores do Mercado Livre de energia elétrica economizaram aproximadamente 190 bilhões de reais nas contas de eletricidade. Atualmente esse mercado representa 32% de toda a energia elétrica consumida no Brasil, 83% do segmento industrial e atende a cerca de seis mil e quinhentos consumidores livres e especiais, que estão entre os maiores do país. Nesse particular, merece destaque que os preços da energia no Mercado Livre foram em torno de 30% menores que as tarifas reguladas das distribuidoras no mesmo período.