Tecnologia já está em 70% dos terminais

De um lado, a busca por oferecer maior comodidade ao cliente, a exemplo do saque ou conferência de saldo sem a necessidade do cartão, e uma interação mais simples e lúdica com as máquinas. De outro, a necessidade de reforçar a segurança na conferência da identidade do correntista e na validação de uma transação, mitigando a incidência de fraudes. Os dois objetivos, somados, explicam a enorme popularização das tecnologias de leitura biométrica nos terminais de autoatendimento (ATMs) nos últimos anos.

O Brasil possui um dos maiores parques de caixas eletrônicos no mundo, com 178 mil máquinas em operação ao final do ano passado, conforme a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Números da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária mostram que 70% já contavam com algum tipo de biometria em 2015, um crescimento de 11% em relação ao ano anterior. E, ao que tudo indica, a identificação dos clientes pelo reconhecimento de padrões das veias das palmas das mãos (palm vein) ou das impressões digitais (finger print) – as duas tecnologias mais disseminadas do mercado – atingirão a totalidade das máquinas em um curto espaço de tempo.

O forte avanço é reforçado por iniciativas como a do Itaú Unibanco, que iniciou seu projeto de embarcar a tecnologia em 2012 e, dois anos depois, já contava com 100% dos 22,6 mil caixas próprios, além dos terminais de caixa nas agências e das estações de gerentes, com o leitor biométrico. Atualmente, 72% dos clientes já possuem as digitais cadastradas. Conforme o diretor de segurança corporativa, Adriano Volpini, a escolha da tecnologia finger print foi motivada por algumas razões. Uma delas é que a tecnologia já é amplamente utilizada em outros segmentos, a exemplo da emissão de passaportes pela Polícia Federal, a Justiça Eleitoral ou o controle de fronteiras americano, o que garante maior familiaridade ao usuário.

Outro motivo é que essa utilização mais intensa obriga os fornecedores a manter a tecnologia sempre atualizada. A última – e não menos relevante – razão é a busca por segurança, minimizando uma das fraudes mais comuns contra o sistema bancário: a de identidade. “O cartão representa o que o cliente tem e a senha aquilo que ele sabe. A biometria criou um pilar que ninguém consegue reproduzir, que é aquilo que o cliente é”, diz Volpini.

Além dos aspectos de segurança, a adoção da biometria permite aos bancos otimizar a experiência do cliente nas transações via terminais. “O cliente leva, em média, um minuto a menos para transacionar com a biometria e sem o uso do cartão. A tecnologia traz um sentimento de independência e empoderamento tremendo para ele”, diz o diretor de pesquisa e inovação do Bradesco, Marcelo Frontini. A tecnologia escolhida pelo Bradesco, pioneiro na adoção da biometria entre os bancos, em 2004, foi a palm vein, fornecida pela japonesa Fujitsu. Desde 2015, todas os 31.668 ATMS próprios do banco contam com a tecnologia embarcada.

A TecBan, administradora da Rede Banco24Horas, também levou, em 2015, a biometria para 100% de seus 19 mil caixas eletrônicos. A escolha foi pela multibiometria, que permite implantar em um mesmo equipamento duas formas de identificação do cliente: captura de imagem do padrão vascular (palm vein) e leitura das digitais. O Banco do Brasil também apostou nas múltiplas tecnologias para seus terminais de autoatendimento e agências, fornecidas pela Lumidigm, que incluem a palm vein, finger vein e a finger print. Dos 37 mil caixas eletrônicos, 14 mil possuem dispositivos biométricos embarcados.

Valor Economico

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