Sete Brasil ajusta plano e busca apoio de credores

A Sete Brasil chega à véspera da assembleia geral de credores, prevista para amanhã, sem ter resolvido um impasse com a Petrobras. A estatal deu sinais, segundo fontes, de não ter interesse na continuidade do projeto das sondas de perfuração da Sete, cujos ex­administradores foram envolvidos pela operação Lava­Jato. Na Petrobras, a visão é de que o impasse foi
determinado pelo fato de que não foi possível começar nem uma mediação privada entre as partes uma vez que o acionista controlador da Sete, o FIP Sondas, optou por manter­se ausente das discussões.

Ao longo de quatro meses, desde que protocolou em agosto o plano de recuperação judicial na Justiça do Rio (TJ­RJ), a Sete não conseguiu evoluir nas discussões com a Petrobras. Esperava­se que nesse período as partes definissem o número de sondas que poderiam ser concluídas, bem como as condições comerciais dos contratos, incluindo as taxas de
afretamento.

Dessa maneira, a Sete Brasil deve fazer um ajuste no seu plano de recuperação, que inicialmente previu a construção de até 12 sondas que iriam exigir investimentos adicionais de US$ 5 bilhões. Esse dinheiro teria origem em novos financiamentos ou aporte de recursos de terceiros. Frente ao impasse com a Petrobras, a Sete Brasil está ajustando o seu
plano prevendo um número menor de sondas para uma primeira fase, o que resulta em investimento também menor.

Diante das dificuldades, a Sete Brasil deve priorizar no plano de recuperação, em um primeiro momento, a conclusão de quatro sondas de perfuração que vão exigir cerca de US$ 550 milhões em capital novo, algo como 10% da estimativa do plano inicial, apurou o Valor.

O objetivo da assembleia da Sete é aprovar o plano de recuperação judicial, cuja dívida ultrapassa os R$ 17 bilhões, segundo o balanço da companhia de 2015. Existe a possibilidade, porém, de que a assembleia seja adiada para uma segunda convocação, em 3 de fevereiro de 2017. O adiamento não interessa à Sete pois pode comprometer ainda mais o caixa da companhia e dificultar o atendimento dos prazos do plano. Eventual segunda convocação terá ainda impactos negativos sobre a tentativa de reestruturação da empresa.

A Sete Brasil e seus assessores financeiros têm mantido contato direto com a maioria dos credores, os quais participam das discussões relativas ao plano. A Sete continua a entender que a conclusão das obras das sondas mais adiantadas ­ e sua posterior operação, via contratos de afretamento (aluguel) ­ é a alternativa mais adequada para a companhia e a
opção que melhor atende o interesse das partes envolvidas nas discussões.

No mercado, fontes avaliam que o desentendimento entre Sete Brasil e Petrobras pode terminar na Justiça uma vez que, no plano original, a Sete Brasil iria construir 28 sondas de perfuração para a estatal. Mas, depois de ser envolvida pelas denúncias de corrupção investigadas pela Lava­Jato, a empresa se viu sem acesso a crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e sem a garantia de contratação das sondas pela Petrobras.

A Sete move três ações por reparação de danos contra os ex­diretores da companhia João Carlos Ferraz, Pedro Barusco e Eduardo Musa. Essas ações ainda tramitam sem sentença.

Valor Econômico

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