Nova empresa pode reunir refino e logística

Objetivo da estatal é atrair sócios para refinarias, dutos e terminais
O modelo de parceria entre Petrobras e iniciativa privada na área de refino pode incluir ativos de
logística, como dutos e terminais usados para escoar combustíveis. Essa é uma das formas que
vêm sendo avaliadas pela estatal para tornar o negócio mais atraente a investidores. Os estudos
sobre o novo modelo ainda estão em andamento e devem ser apresentados ao Conselho de
Administração da companhia até o fim do ano.
— Vamos reunir os ativos de logística e refino em uma mesma empresa, para que isso faça
sentido econômico para o sócio. Não está nada aprovado ainda (pelo conselho) — disse o
diretor de Refino e Gás da estatal, Jorge Celestino, após apresentação sobre o mercado de
refino na Rio Oil & Gas, evento da indústria do petróleo que ocorre no Riocentro.
Segundo Celestino, a ideia é que os ativos de logística incluam desde a infraestrutura pela qual
o petróleo chega à refinaria até os dutos de escoamento, possivelmente englobando terminais
de despacho. Esses ativos e fatias das unidades de refino seriam reunidos em uma única
empresa. A Petrobras, então, tentaria atrair sócio privado para esta companhia.
Hoje, a petrolífera monopoliza o refino, embora a legislação permita a participação da iniciativa
privada. A estatal controla ainda os dutos e terminais no país usados para transportar petróleo e
também gasolina, diesel e outros derivados produzidos nas refinarias até os mercados
consumidores. Os terminais também são usados para importar e exportar petróleo e
combustíveis.
Uma das principais críticas da iniciativa privada é justamente a falta de acesso à infraestrutura
de escoamento. Outra crítica é que os preços dos derivados são, na prática, controlados pela
estatal.
A iniciativa privada se queixa justamente da falta de acesso à infraestrutura de escoamento.
Outra reclamação é que os preços dos derivados são, na prática, controlados pela estatal.
NOVA REFINARIA É DESCARTADA No passado, a espanhola Repsol/YPF chegou a comprar
30% da Refap (RS). Mas acabou desistindo do negócio anos depois porque não tinha
instalações para importar seu próprio petróleo e tinha de se submeter aos preços então “ditados”
pela Petrobras. A gestão de Pedro Parente na estatal pretende mudar isso, com uma abertura
real do refino ao capital privado e uma nova política de preços.
— O modelo que estamos avaliando vai ter acesso a mercado e volume (de refino) — afirmou
Celestino. — Não podemos ter uma empresa que tem 100% do dowstream (refino e logística de
escoamento).
Jorge Camargo, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, que representa as empresas
privadas, defendeu que uma real abertura do refino seja guiada por dois princípios: a referência
de preços no mercado internacional e o livre acesso à infraestrutura de escoamento de
combustíveis.
Aurélio Amaral, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), defendeu a construção de ao
menos mais duas refinarias no Brasil até 2030, uma no Maranhão e outra no CentroOeste, onde
está a maior demanda. Porém, Celestino reafirmou que, no horizonte do plano estratégico (até
2021), a Petrobras não cogita a construção de uma nova refinaria:
— Para o país talvez não seja a melhor solução (a decisão da estatal). Mas é a melhor solução
para a Petrobras.
O Jornal O Globo,RJ

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