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Jornada Técnica :: 8/5/2004

Combustíveis de Navios

Apoio portuário atua nas exportações

Dentro das atividades ligadas à área portuária, uma se destaca pela sua contribuição para as exportações a varejo de óleo combustível, efetuadas diretamente a navios estrangeiros que aportam na costa brasileira. Trata-se da atividade de bunkering, efetuada pela navegação de apoio portuário, cuja frota é constituída por embarcações especializadas no abastecimento de combustíveis a navios.

A Petrobras é a principal player do mercado de abastecimento de combustíveis a navios, atividade que contribui para engordar a pauta de exportação da estatal. A empresa exporta anualmente cerca de 4.000.000 t de óleo combustível através do fornecimento a embarcações estrangeiras freqüentando portos brasileiros.  É uma modalidade de exportação interessante, pelo fato de não haver a necessidade de se pagar frete de longo curso, e, sim, apenas a remuneração dos serviços prestados pelas empresas de apoio, contratadas por licitação nos vários pontos de abastecimentos. No Brasil são oito os portos que contam com terminais de abastecimento da Petrobras: Belém, Recife, Salvador, Vitória, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá e Rio Grande.

No Rio de Janeiro, a empresa contratada para transportar e fornecer a navios óleo diesel e óleo combustível é a Navegação São Miguel, que opera também em Vitória e Santos. A armadora dispõe de frota com quase 50 embarcações dos mais diversos tipos, sendo mais de 60% da tonelagem da sua frota dotada de casco e/ou fundo duplo, dentro dos padrões exigidos pela IMO para a prevenção a acidentes que possam a vir a afetar o meio ambiente.

Os sister ships “Serra Nevada” e “Serra Polar” são as embarcações mais modernas da frota: dotadas de casco duplo e classificadas como OSRV (Oil Spill Response Vessel), deslocando 3.338 toneladas de porte bruto e equipadas com o controle eletrônico dos níveis de carga nos tanques de carga, os navios estão aptos a bombear até 650 m3/hora, possibilitando operações rápidas e muito seguras.

A São Miguel tem sistemas de gestão certificados pelas normas ISO 9000 (Qualidade) e ISO 14.000 (Meio Ambiente), além do ISM CODE (Segurança da Navegação e Vida Humana). Como operadora em área portuária no momento está buscando também se adequar ao código ISPS (Segurança Portuária).

Os pedidos de abastecimento podem vir com uma semana ou até apenas 24 horas de antecedência e a empresa de apoio portuário tem de estar preparada para a operação. A Jornada Técnica desta edição acompanhou o Gerente de Operações da São Miguel, Engo. Mário Badauy, que resumiu o processo operacional de rotina para abastecer um navio estrangeiro e processar a exportação da Petrobrás.

Segundo explicou, o pedido normalmente contempla o navio a ser abastecido; hora estimada e local da operação; as especificações de volume e tipo de combustível (diesel e/ou óleo combustível com especificações que vão do MF030 até o MF380). Uma vez encaminhado à São Miguel, esta inicia seu planejamento logístico, preparando as embarcações adequadas às operações de cada dia. As embarcações designadas para atender os fornecimentos programados zarpam de seu ponto de fundeio e se deslocam até o terminal da Petrobrás para receber os produtos. Concluído o carregamento do combustível nos tanques, a embarcação de apoio portuário segue viagem até o ponto onde se encontra o navio a ser abastecido.

A embarcação realiza as manobras necessárias para atracar ao navio-cliente e começar a operação de transferência do produto por meio de mangotes especiais. Os mangotes são conectados ao flange de recebimento do navio a ser fornecido e informações são trocadas quanto às quantidades a serem transferidas, velocidade de bombeamento, paradas intermediárias eventualmente necessárias, pressão máxima admitida na linha etc. Após verificar as conexões é então acionada a bomba da embarcação fornecedora, para iniciar a transferência do produto para o tanque do navio a ser abastecido.

Trata-se de uma operação semelhante a de um posto de gasolina no abastecimento do tanque de um carro. Só que operacionalmente, a bem dizer, o posto (embarcação de apoio portuário) navega até o cliente da Petrobrás. O tempo gasto para a operação vai depender do volume contratado e da quantidade de vazão especificada pelo cliente.  Em média, pela quantidade e pela viscosidade do produto normalmente fornecido aos navios no Rio de Janeiro, gasta-se uma média de 4 a 5 horas, segundo informou o gerente de operações da São Miguel.
 
Nas operações, são utilizados em média cinco profissionais e a velocidade média de bombeamento é de 300 toneladas por hora. Mas há também navios cujo sistema de tanque comportam uma vazão de 500t/hora, enquanto outros somente 100t/h, acrescentou Badauy. Segundo lembrou, nem todos navios estrangeiros que por aqui navegam optam pelo abastecimento em portos nacionais, frisando que, todavia, esse é um serviço que tem de ser prestado 365 dias por ano e 24 horas por dia.

MERCADO

Mário Badauy define a atividade de bunker como “um mercado muito nervoso”, suscetível a qualquer acontecimento no cenário mundial, com elevações de preços que se sentem de imediato. No entanto, realça o gerente de operações, os preços do bunker quando variam, tem seus efeitos sobre a ponta de entrega somente após uns 15 a 20 dias.

Embora também se abasteçam navios fundeados, nas áreas atendidas pela São Miguel 90% dos atendimentos são efetuados em navios atracados, principalmente os porta-contêineres, cuja operação de embarque e desembarque acontece em alta velocidade, reduzindo a horas o tempo de permanência do navio no terminal portuário. Mário Badauy também observa que no Rio de Janeiro, face às características da Baía da Guanabara, há um maior número de atendimento a navios fundeados, o que não ocorre na mesma escala nos portos de Vitória e Santos.

É uma atividade que exige um cronograma de logística bem definido, para evitar atraso na programação dos navios de carga. 

A Navegação São Miguel, empresa 100 % nacional controlada pela Brasbunker Participações S.A, completou este ano 53 anos de atividades e, com o recebimento do N/T Serra Polar, conclui um programa de modernização da frota que resultou na construção em mais 8.000 toneladas de embarcações dotadas de casco duplo, revelou Badauy. Ainda em 2004 estará iniciando novo projeto, que contempla a modernização do estaleiro próprio da empresa, localizado em São Gonçalo e a construção de quatro novos conjuntos barcaça/rebocador, totalizando mais 10.000 toneladas em casco duplo.



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