DA AGÊNCIA BRASIL A aquisição, pela Transpetro, de aço da China para a construção dos navios que compõem o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) é um “desserviço” ao Brasil na opinião do presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes.
Ele disse que vai conversar com o presidente da Transpetro, Sergio Machado, “para tentar fazer com que o fornecimento de aço para o Promef seja nacional”.
Lopes lembrou que, na China, 70% das empresas são controladas pelo governo, o câmbio não é flutuante como ocorre no Brasil, há menos impostos e a indústria chinesa conta com amplos subsídios governamentais. “A importação de aço chinês pela Transpetro acaba tirando empregos no mercado brasileiro”, afirmou.
Perguntado se o encontro com Sergio Machado poderá ocorrer nos próximos 30 dias, o presidente executivo do IABr afirmou que “vai depender da agenda (do presidente da Transpetro)”’.
Lopes descartou que o aço nacional é mais caro do que o produto internacional. “Se nós comparamos o (preço do) aço brasileiro com o do mercado internacional, certamente haverá uma diferença, porque o mercado internacional hoje está super ofertado, tem preços deprimidos, práticas predatórias, incentivos. Quando se compara o preço no mercado interno nacional com o preço no mercado interno de outros países, a afirmativa de que o aço brasileiro é mais caro perde o sentido”, afirmou.
MINÉRIO. O executivo esclareceu que, embora a principal matéria-prima do aço, que é o minério de ferro, tenha aumentando o preço em cerca de 100% este ano e sinalize para outro reajuste em torno de 35%, o impacto na ponta é pequeno. Como exemplo, informou que o aço participa com 55,7% no peso de um carro, mas com apenas 7,9% no valor de venda do veículo. No peso de uma geladeira, o aço tem participação de 55,1% e menos de 10% no valor de venda. Em relação ao fogão, o aço representa 75,4% mas, no valor de venda, o peso do produto é de 17,9%.
Também na área da construção civil, a pesquisa divulgada pelo IABr revela que o aço está presente em 4,6% no custo da obra e em apenas 2% no valor de venda de um prédio médio.
Procurada, a Transpetro respondeu que não comentará as declarações da IABr.