O vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, destacou ontem que a retaliação do Brasil às importações de 102 produtos norte-americanos tem mais um caráter político do que econômico, já que os Estados Unidos não são o principal fornecedor da maioria dos itens selecionados.
A OMC (Organização Mundial do Comércio) autorizou que o Brasil impusesse sobretaxas a importações dos EUA em razão dos subsídios pagos pelo governo norte-americano aos produtores de algodão.
"Diria que os principais componentes da lista de retaliação são três: político, econômico e diplomático", afirmou Castro em entrevista ao Guia Marítimo News. Para ele, o impacto não deve ser tão superlativo como tem sido estimado. "As multinacionais norte-americanas vão usar suas bases em outros países para exportar para o Brasil", pontua. Além disso, destaca ele, dentre os artigos que serão taxados, os Estados Unidos são os maiores fornecedores do Brasil apenas de produtos de beleza e higiene pessoal.
O maior impacto em valor será nas importações de trigo, tendo como base os totais de 2008. Neste período, o Brasil importou US$ 318 milhões em trigo e US$ 70 milhões de uma mistura de componentes químicos. Ou seja, somente esses dois produtos perfazem US$ 390 milhões dos US$ 591 milhões passíveis de retaliação pela OMC.
Mesmo assim, o Brasil só comprou a commodity norte-americana em decorrência da quebra da safra na Argentina, o principal fornecedor de trigo para o mercado brasileiro. Normalmente os EUA participam com uma fatia de 5% das importações brasileiras da carga. "Dizer que o preço do pãozinho vai subir por isso é um exagero", diz Castro. |