Investidor teme Petrobras como único cliente

A Petrobras adicionou uma nova dificuldade à sua venda de ativos, que é o temor dos compradores de que ela não consiga honrar os compromissos assumidos como futura cliente das empresas que pretende vender. O Valor apurou que esse foi o caso da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), um dos braços da TAG, pela qual um consórcio liderado por subsidiárias da PetroChina, entre elas a China National Petroleum Corporation (CNPC), fez a melhor oferta. Mas os chineses recuaram porque os recebíveis da companhia nos próximos 10 a 15 anos são da Petrobras. A estimativa do mercado é que a oferta fosse de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões.

“Os chineses ficaram com medo de assumir o risco Petrobras”, disse a fonte do mercado, a par do assunto. “O faturamento dos gasodutos da TAG são todos contra a Petrobras, que contrata a capacidade de transporte da empresa para transportar o gás. E o que realmente impacta é que a Petrobras se transformou em uma empresa duvidosa. O risco Petrobras, assim como o risco país, estão muito altos”, diz a fonte.
O problema que está se avizinhando para a Petrobras é que o mercado financeiro já está temeroso de dar garantias contra recebíveis da estatal. Esse maior cuidado pode comprometer a venda de outras participações cuja receita futura garantida serão contratos com a estatal. É o caso dos ativos de transporte e logística.

Até agora Petrobras só vendeu US$ 700 milhões dos US$ 14,1 bilhões prometidos em 2015, enquanto seus pares colocaram à venda negócios bilionários. A Chevron obteve US$ 5,7 bilhões, seguida pela Shell, com US$ 5,5 bilhões arrecadados (ver gráfico acima). A fraca performance da companhia brasileira com a venda de ativos deixa a impressão de que o processo está travado. O risco da estatal aumentou, e o mercado quer comprar barato. Mas ela não pode aceitar preços muito baixos porque responde a órgãos de controle.

O processo de venda dos ativos de exploração e produção também caminha lentamente. Em fevereiro, a companhia convidou a australiana Karoon e as brasileiras PetroRio (ex-HRT), Ouro Preto e Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) a apresentarem propostas por 100% dos campos de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, e Baúna, no pós-sal de Santos.

Segundo uma fonte a par do assunto, a Petrobras quer anunciar o vencedor da concorrência até o fim deste mês, mas mudanças internas no quadro gerencial da estatal desaceleraram as negociações nas últimas semanas. O campo de Baúna produz cerca de 40 mil barris diários de petróleo, enquanto Golfinho produz 13 mil barris/dia.

A Petrobras também reabriu recentemente a venda de parte de sua fatia no campo de Tartaruga Verde e Mestiça, na Bacia de Campos, previsto para entrar em produção em 2017. Ainda segundo a mesma fonte, a estatal está oferecendo ao mercado uma participação de 50% do ativo, mas sem direito de operação.

Também não teve sucesso até o momento a venda do campo de Maromba, na Bacia de Campos. O ativo está na lista de áreas inativas que, por determinação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), poderá ter seu contrato de concessão rompido e relicitado caso a estatal não encontre um novo operador para o projeto ou comece a produzir na área em 12 meses.

Em março, o presidente da QGEP, Lincoln Guardado, informou que a Petrobras comunicou aos sócios que pretende retomar a venda de Carcará (BM-S-8), no pré-sal da Bacia de Santos. A estatal opera a área com 66%, em sociedade com a Petrogal (14%), QGEP (10%) e Barra (10%).

Recentemente, a Petrobras recebeu o aval da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para reduzir os investimentos na avaliação da descoberta de Carcará. O órgão regulador aprovou a revisão do plano de avaliação do ativo e isentou o consórcio de realizar em 2017 o teste de longa duração (TLD) que constava como parte dos compromissos assumidos antes da declaração de comercialidade da descoberta. Uma parte do reservatório extrapola o bloco licitado e a área da União deverá ser leiloada sob o regime de partilha.

Valor Econômico

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