Fornecedor necessita de reformas, afirma IBP

Mesmo que a diversidade na exploração e produção petrolífera suba nos próximos anos por conta de mudanças estruturais no setor, a cadeia de fornecimento está preparada para atender à nova demanda, garante Jorge Camargo, presidente do IBP. O especialista alerta, contudo, para a urgência das reformas pretendidas no setor para impedir que mais empresas fechem as portas.

Para ele, a retomada de investimentos na indústria de petróleo vai ajudar a recuperar as companhias, que precisaram cortar custos e demitir pessoal para sobreviver em meio à crise. “Daí a importância de se ter urgência para realizar as mudanças”, afirma.

“Grande aliado é a oportunidade de desinvestimento da Petrobras. Ela quer vender fatia em campos maduros, ou em terra, além de realizar parcerias, o que tem muito mais a ver com o perfil de pequenas empresas”, explica. “Esse ambiente [de empresas pequenas, médias e grandes] seria o mais saudável. Precisamos trazer essa variedade.”

Recentemente, Alexandre Lyra, presidente do grupo Vallourec no Brasil, demonstrou otimismo tanto pelos planos de negócios e desinvestimentos da Petrobras como pelas reformas que devem atingir no setor daqui para frente. A perspectiva é que haja crescimento na demanda por seus tubos de aço, largamente usados na produção de petróleo.

Segundo Lyra, as perspectivas são melhores agora também por conta da potencial suavização na exigência de conteúdo local. Se uma empresa puder comprar tubos aqui, por exemplo, e com isso ganhar bônus para poder importar outros materiais em falta no Brasil, o executivo crê que haverá potencial para a venda de seus produtos no âmbito doméstico.

Camargo, do IBP, participou de evento nesta semana realizado pela Câmara de Comércio Noruega-Brasil, no qual esses pontos foram discutidos. Outros executivos presentes ao encontro ressaltaram que são necessários incentivos inclusive à exportação dos fornecedores de petróleo.

Lincoln Guardado, presidente da QGEP, pediu racionalização do programa de conteúdo local. Ele cita um patamar mais próximo de 40%, em vez de 60%, como muito mais factível para o Brasil. “Inclusive nós temos que fazer valer as regras para a exportação”, acrescentou.

A opinião é compartilhada por Pal Eitrheim, presidente da Statoil no Brasil. “Eu sempre me pergunto, por que essas empresas não estão lá fora? Deveriam competir no Golfo do México, no Mar do Norte, em outras regiões”, declarou. “Quando há uma crise como agora, a cadeia fica muito mais vulnerável, porque só tem o mercado interno.”

O Brasil deveria, diz Camargo, se concentrar em pedir conteúdo local das áreas em que tem maior competitividade. Além disso, penalizar quem não conseguir montar seus projetos com a exigência do conteúdo local significa um obstáculo ao investimento, afirma ele, e o melhor seria incentivar quem usar.

“A indústria toda é a favor de se estimular o conteúdo local, mas temos que focar e construir uma cadeia competitiva”, disse. “Com a dimensão do pré-sal, de bilhões de barris recuperáveis, se não levarmos essa indústria a outro patamar, teremos perdido a oportunidade de uma geração.”

A maior expressão dessa vulnerabilidade foi dada no evento pelo diretor da Rolls-Royce Marine na América do Sul, Paulo Rolim. A companhia investiu 100 milhões de libras (US$ 130 milhões) para abrir uma fábrica de “thrusters”, equipamento de propulsão marítima. Inaugurada em fevereiro de 2015, no fim do mesmo mês a unidade recebeu o cancelamento dos pedidos. Em julho deste ano, a fábrica acabou sendo fechada.

Valor Econômico

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