Fiepe acredita em possível recuperação de estaleiros no estado de Pernambuco

Apesar de ser cauteloso ao falar da recuperação da atividade industrial no Estado, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger, projeta uma retomada da confiança do empresário ainda este ano.

A assinatura do acordo de livre comércio no setor automotivo entre Brasil e Peru, fato que pode ampliar a participação da Jeep no mercado externo, a transformação do Vard Promar em um estaleiro de reparos e a disputa por uma encomenda internacional de embarcações pelo Estaleiro Atlântico Sul são fatores que podem alavancar esse “otimismo”.

Durante coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (2), na qual apresentou o Cadastro Industrial, Essinger detalhou: “O Vard Promar continua fazendo investimentos com intuito de transformá-lo em um estaleiro de reparos. Tem um horizonte de desenvolvimento do próprio Estaleiro”, ponderou, destacando que, com relação ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), a conquista de encomendas no mercado internacional pode ser um alento. “Não dependendo apenas da Petrobras.”

Desde o ano passado, o EAS reduziu o quadro funcional após perder contratos com a Sete Brasil, pelos desdobramentos da Operação Lava Ja­to. No fim de 2015, a Transpetro comunicou o cancelamento de 11 dos 22 contratos.

Essinger não adiantou detalhes sobre o novo contrato, que estaria em curso. Três mil trabalhadores perderam seus empregos em pouco mais de um ano.

Com relação a possíveis mudanças no Vard, uma fonte do setor, em reserva, destacou que essa é uma tendência dos estaleiros no País. “Seria uma forma de sobreviver”, afirmou. Segundo ele, o que se fala no mercado é que o Vard concluirá um navio do modelo PLSV após o fechamento do Vard Niterói, previsto para breve. Atualmente, o estaleiro pernambucano possui uma encomenda de cinco navios tipo gaseiros.

Uma matéria publicada recentemente pela Folha de Pernambuco revelou que, após o cancelamento com a Transpetro – dois ga­seiros avaliados em R$ 300 milhões -, o empreendimento começou a encolher seus quadros. Diante de um prejuízo de

R$ 610 milhões em 2015 e da manutenção do cenário negativo, os cortes de funcionários devem ser intensificados nos próximos dois meses. Procuradas, as empresas não se posicionaram até o fechamento desta edição.

Folha de Pernambuco