Empregos no setor naval ainda incertos

Em Pernambuco, o setor naval está entre os segmentos que tiveram grande impacto sobre os números do desemprego. Do final de 2014 para cá, somente o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Sua­pe, encerrou mais de três mil vagas formais, a partir da perda de contratos com a Sete Brasil e com a Transpetro, que ontem confirmou o corte de sete encomendas do empreendimento. Por problemas semelhantes, o Vard Promar, também no Complexo Industrial Portuário, reduziu o seu quadro de dois mil para 1,4 mil desde o ano passado e pode encolher ainda mais.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal) diz que as demissões no Promar foram intensificadas depois que a Transpetro cancelou dois contratos para a construção de navios gaseiros com a empresa, no valor de aproximadamente R$ 300 milhões.

O Vard Promar já entregou três gaseiros à Transpetro e ainda teria mais cinco, dos quais dois foram cancelados. Agora, perante revisão de contratos do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), os trabalhadores do Promar se perguntam quais podem ser as novas implicações.

“O que sabemos é que as demissões continuam ocorrendo, inclusive há rumores de mais 150 demissões ainda esta semana”, comentou o presidente do Sindimetal-PE, Henrique Gomes. “Como o cancelamento de encomendas do EAS foi menor do que o esperado (seriam 12 mas foram sete), ficamos na expectativa de uma revisão dos cortes também em relação ao Promar”, acrescentou.

A disputa entre Vard Promar e Transpetro já teria virado caso de justiça, segundo fontes ligadas à empresa. As partes não se posicionaram oficialmente sobre o assunto. Uma revisão dos cancelamentos poderia para amenizar os problemas dos trabalhadores, que além do emprego incerto convivem com a precariedade dos ambientes de trabalho e a falta de pagamentos de rescisões, salários e benefícios. Nesta sexta, a entidade vai tentar um novo acordo com a companhia para abrandar essas questões. Caso não haja mudanças, pretendemos levar às denúncias ao Ministério Público do Trabalho”, diz Gomes.

Folha de Pernambuco

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