Congresso Ecogerma 2017

Tradicional evento da Câmara Brasil-Alemanha, voltado para a área do Meio Ambiente, Sustentabilidade, Energia e Infraestrutura, focou nesta edição na Política Nacional de Resíduos Sólidos

Na última quinta-feira, dia 18 de outubro, a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK São Paulo), por meio do seu Departamento de Meio Ambiente, Energias Renováveis e Eficiência Energética, realizou a nona edição do Congresso Ecogerma. O evento, que contou com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e do Instituto AUÁ, foi patrocinado pela LANXESS e pela BRTÜV.

O Congresso deste ano abordou os “Avanços e desafios da Política Nacional de Resíduos Sólidos” e foi aberto por Eliane Siviero, Membro da Comissão de Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha e CEO da LANXESS; Mario Hirose, Diretor Titular Adjunto do Departamento de Meio Ambiente da FIESP e Jens Gust, Cônsul-geral Adjunto e Adido para Economia, do Consulado Geral da República Federal da Alemanha em São Paulo. Em sua fala, a CEO da LANXESS afirmou que todas as “atividades industriais geram resíduos sólidos que precisam ser gerenciados para evitar danos à sociedade. Isso é um desafio principalmente para as empresas de pequeno porte. Esperamos que as informações disponibilizadas nesse evento contribuam para a melhora da qualidade e disponibilidade de recursos ambientais”.

A primeira palestra do Congresso abordou os avanços e desafios da Política Nacional de Resíduos Sólidos, e foi ministrada por Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, Diretor-Executivo da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Da Silva Filho trouxe a reflexão sobre um dilema que o País enfrenta nesse momento. “Manter os lixões no Brasil em funcionamento equivale a um gasto estimado com saúde pública de 30 bilhões de reais ao longo dos próximos anos, sendo que, se no mesmo período fosse realizado um investimento de 10 bilhões de reais, poderíamos resolver o problema dos lixões por completo. Insistir nesse modelo é insustentável”. O Diretor-Executivo da ABRELPE questiona o fato de sete anos após a criação da lei de resíduos sólidos o número de lixões no Brasil ainda não ter sido reduzido significativamente, havendo ainda 2.975 lixões de pequeno e médio porte em todo o País.

Em seguida, o evento contou com a contribuição da Dra. Christiane Pereira, Coordenadora no Brasil do Departamento de Resíduos e Recursos Naturais da TU Braunschweig e do Centro de Pesquisa, Educação e Aplicação em Resíduos Urbanos (CREED), que palestrou sobre “Gestão de resíduos sólidos na Alemanha – lições a serem compartilhadas com o Brasil”. A pesquisadora comparou o modelo de gestão de resíduos alemão com o brasileiro apontando, entre outras coisas, a necessidade de repensarmos o nosso modelo de coleta de resíduos. Dra. Pereira afirma que diferentemente do Brasil na “Alemanha a coleta é escalonada, não existe uma coleta diária. Coletar um dia a mais ou a menos não vai impactar o descarte de lixo, agora se fizermos uma coleta mais eficiente e usarmos melhor os recursos disponíveis poderemos gerar um impacto maior sobre a gestão desses resíduos”.

Ainda no período da manhã o evento ainda contou com a palestra sobre “Logística Reversa – da teoria à realidade dos acordos setoriais”, de Paulo Roberto Leite, Presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB).  Já Diego Iritani, Doutor em Sustentabilidade e Economia Circular pela Universidade de São Paulo (USP) e Fundador da Upcycle, falou sobre “As Oportunidades e os Desafios da economia circular no Brasil”. Iritani acredita que para a economia circular ser implementada no País, é necessário haver uma mudança de mindset na sociedade. “Como a redução de custo é o foco da nossa cadeia produtiva atual, excluímos de nossa produção os processos relativos à gestão de resíduos a fim de diminuir custos. Entretanto, em uma economia circular, a geração de valor passa a ser mais importante do que a redução de custos, incorporando a gestão de seus resíduos ao planejamento estratégico das empresas”.

Em um segundo momento,  foram apresentados quatro cases de sucesso, sendo eles o “Ciclo Verde”, apresentado por Francisco Tofanetto, Gerente de Engenharia e Utilidade da LANXESS Brasil; o projeto Nat.genius que foi apresentado por Felipe Oliveira, Técnico Desenhista da Embarco; Tania Gengo, Gerente de Operações na BWS e da ES-fashion, apresentou o case de sucesso sobre “Moda Circular” e o “Programa ProLata” da Abeaço Brasil foi apresentado por Thais Faguri, Presidente Executiva da Associação Brasileira de Embalagem de Aço.

Ao final do evento foi realizada a cerimônia de entrega do Prêmio von Martius de Sustentabilidade, organizado pela Câmara Brasil-Alemanha. O Prêmio foi criado com o intuito de reconhecer o mérito de iniciativas que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural com respeito socioambiental. Em cada uma das três Categorias – Humanidade, Natureza e Tecnologia – foram selecionadas as três melhores iniciativas inscritas.

Na categoria Tecnologia do Prêmio von Martius, ficou em 1º lugar o projeto ‘Florestas de valor’, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora Brasil. O projeto consolida iniciativas de valorização de produtos florestais extrativistas e garante os direitos do bem-estar das populações locais nas Áreas Protegidas na Amazônia. Em 2º lugar ficou o projeto ‘O cultivo da Pupunha para produção de palmito’, da Embrapa Florestas e por último o projeto sobre ‘Tecnologia para conservação da ictiofauna no Rio Uruguai’, da Engie Brasil Energia.

Na categoria Natureza o projeto selecionado em 1º lugar foi o ‘Cambuci, Mata Atlântica e o ecomercado’, do Instituto AUÁ de Empreendedorismo Socioambiental. O projeto aposta no uso sustentável e na comercialização de produtos agroecológicos para a conservação ambiental, desenvolvimento local e a criação de uma identidade territorial. Já em 2º lugar e 3º lugar ficaram, respectivamente, o ‘Projeto Cidadão Cientista’, da Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil – SAVE Brasil e o ‘Estradas com Araucárias’, da Embrapa Florestas.

Na categoria Humanidade, o projeto ‘Gaia + Valores’, do Grupo Gaia, ficou em 1º lugar. A iniciativa possibilita que crianças e professores atinjam o máximo de suas potencialidades e desenvolvam uma nova perspectiva de vida, adquirindo características essenciais para uma vida feliz e plena com a Psicologia Positiva e o Mindfulness. Em 2º lugar ficou a ‘Cidade das Abelhas – Parque Ecológico, cultural e de lazer’, da Cidade das Abelhas e o projeto ‘Um olhar para a cidadania’, do Oi Futuro (Instituto Telemar) ficou em 3º lugar.

Sobre a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK São Paulo):

A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo), que comemorou seu centenário em 2016, desenvolve um papel essencial no fomento das relações econômicas entre os dois países. É uma instituição que representa oficialmente a economia alemã no Brasil, atuando como base para o fortalecimento e a diversificação dos negócios de seus associados, na atração de investimentos para o Brasil, na ampliação do comércio bilateral e na cooperação entre países.

Suas atividades englobam ações como eventos, seminários e congressos sobre temas factuais e de interesse, rodadas de negócios, suporte a delegações, assim como o apoio com informações estratégicas, econômicas e institucionais. Além disso, disponibiliza uma vasta opção de publicações e revistas temáticas e especializadas, Livro de Associados, Brochuras Institucionais e Governamentais etc. A mesma importância tem o apoio aos negócios de seus associados, assim como a ampliação estratégica de suas atividades nas áreas de Formação Profissional, Inovação, Inclusão, Mineração, Meio Ambiente, Energia e Eficiência Energética.

A Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, que atua em 11 cidades brasileiras, congrega 1.200 associados, entre empresas de capital ou know-how alemão instaladas no Brasil e companhias brasileiras e alemãs voltadas ao comércio exterior. Por meio da Câmara, os associados se beneficiam de uma rede de mais de 130 câmaras espalhadas em 90 países, além de 83 entidades do gênero na Alemanha.

Fotos: Crédito Felipe Mairowski