Concorrente critica preços da dragagem do Porto de Santos

Licitação da dragagem do Porto de Santos já tem uma empresa vencedora, mas uma das concorrentes cogita judicializar o processo. Trata-se da Metropolitana de Engenharia & Comércio Eireli, que não concorda com a habilitação da Dragabras Serviços de Dragagem e apresentou um recurso administrativo – já indeferido pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), responsável pela concorrência.

A aprovação da contratação da empresa vencedora do certame estava prevista para a última segunda-feira, durante reunião do Conselho de Administração (Consad) da Docas. Mas o caso será novamente discutido na próxima quinta-feira (6).

O motivo é um vídeo – divulgado em uma rede social na semana passada – em que um assessor da Codesp se vangloria de supostos esquemas de desvio de recursos da companhia, na contratação da obra. O funcionário foi demitido na sexta-feira passada. O caso será investigado pela empresa através de um inquérito administrativo.

A Docas abriu licitação, na modalidade pregão eletrônico, para a contratação da dragagem. Inicialmente, a Autoridade Portuária planejava investir R$ 116 milhões nos trabalhos, fundamentais para a garantia da competitividade do complexo marítimo.

A primeira colocada no certame foi a Dragabras Serviços de Dragagem, que cobrou R$ 72 milhões pelo serviço. Já a Metropolitana Engenharia & Comércio pediu R$ 116,9 milhões.

De acordo com o proprietário da Metropolitana, Hailton Ramos de Siqueira, apesar do baixo preço cobrado pela empresa vencedora, há erros nas planilhas de cálculo que favorecem a firma e podem prejudicar o andamento da obra. Por isso, o executivo enviou um ofício ao Consad da Codesp e outros órgãos do Governo, como o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil e o Tribunal de Contas da União (TCU).

De acordo com o executivo, tradicionalmente, o preço cobrado pela retirada do metro cúbico de sedimentos no Trecho 1 do canal de navegação, que vai da entrada da Barra até o Entreposto de Pesca, é menor do que nos outras regiões do complexo. Isto acontece por conta da proximidade com a área de descarte.

Siqueira compara o preço cobrado pela Dragabras e aponta que a empresa estipulou um valor mais caro para o Trecho 1. O problema é que este local tem maior índice de assoreamento (deposição de sedimentos). Consequentemente, a obra sairá bem mais cara para os cofres públicos.

“A empresa vai se capitalizar às custas de um jogo de planilhas. Eles aumentaram o preço onde a expectativa de volume é maior”, destacou.

Draga

O proprietário da Metropolitana afirmou que a draga destacada pela Dragabras para a obra é “grande” e terá dificuldades em realizar o serviço em trechos do canal de navegação onde há curvas. E, segundo ele, a embarcação está fora do País e o seu deslocamento levaria cerca de 45 dias. “A mobilização está cinco vezes mais cara”, disse.

Siqueira aponta também que a vencedora não apresentou a comprovação da regularidade fiscal na cidade do Rio de Janeiro. Segundo ele, o problema tem relação com o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Procurada, a Dragabras não se posicionou sobre os questionamentos da concorrente até o fechamento desta edição. A firma vencedora destacou que só se pronunciará após a adjudicação e arranque das obras no canal de navegação do Porto.

A Tribuna Digital

Um comentário em “Concorrente critica preços da dragagem do Porto de Santos

  • 5 de outubro de 2016 a 17:29
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    Muito discurso…Fato: Só dragas estrangeiras no Pais, algumas até apresentadas por empresas nacionais -revendedoras de serviço. Acorda, Brasil (Temer, Padilha, Moreira, Quintela)! Um País com 8.000 km de costa, sem dragas próprias de bandeira nacional, não forma tecnologia própria, não dá emprego, não fomenta a industria de dragagem e ainda por cima…fica sem dragagem!!! Repassem as Taxas Portuárias direto para os Terminais Privados ou outros investidores comprarem dragas, e tocarem seus serviços de dragagem, e vamos acabar com a alegria das dragas estrangeiras, que “brigam” de fachada e baixam o preço quando ouvem falar em privatização dos serviços e depois os duplicam, sem concorrentes. E o País, também precisa ter um minimo de dragas estratégicas para a sua segurança nacional.

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