Brasil vira grande centro da Statoil fora da Noruega

Com a aquisição de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, por US$ 2,5 bilhões, a Statoil espera que o Brasil se torne, no futuro, o principal destino dos investimentos da companhia, como operadora, fora da Noruega. A expectativa da empresa é investir este ano US$ 500 milhões no país, mas a tendência é que os aportes previstos para 2017 superem essa marca, conta o presidente mundial da petroleira norueguesa, Eldar Saetre.

Único ativo em fase de produção da companhia no Brasil, o campo de Peregrino, na Bacia de Campos, é, atualmente, o principal foco dos investimentos da companhia no país. A empresa já anunciou a intenção de investir US$ 3,5 bilhões, até 2020, no desenvolvimento da segunda fase de produção da área. O projeto deve adicionar cerca de 250 milhões de barris em reservas recuperáveis ao campo, operado pela Statoil (60%), em parceria com a Sinochem (40%).

Em 2017, segundo o executivo, a petroleira espera não só dar continuidade aos investimentos em Peregrino, como também iniciar as primeiras perfurações de poços exploratórios nos blocos arrematados na Bacia do Espírito Santo, na 11ª Rodada, em 2013. Ao todo, a norueguesa opera quatro blocos na região e é sócia da Petrobras em outras duas concessões.

“Estamos numa fase de investimentos em Peregrino e há oportunidades também no Espírito Santo. Estamos planejando as perfurações para 2017”, disse Saetre, em entrevista ao Valor.

Acostumada a operar em águas profundas no Mar do Norte, a Statoil está redirecionando seu posicionamento estratégico no Brasil rumo ao pré-sal. A companhia assumiu a operação do bloco BM-C-33, que abriga as megadescobertas de gás de Pão de Açúcar, Seat e Gávea, na Bacia de Campos; e comprou a fatia de 66% da Petrobras em Carcará (BM-S-8).

Localizados longe da costa, a expectativa é que o desenvolvimento desses dois projetos consuma investimentos vultosos. Saetre preferiu não comentar sobre as expectativas de aportes em Carcará e Pão de Açúcar, mas destacou que “os dois projetos são prioridade para a empresa” e que está otimista de que ambos serão competitivos, dentro de um cenário de baixa nos preços do barril do petróleo.

Parceria com a Petrobras ainda está em fase incipiente, de “definição das áreas de cooperação”

Questionado sobre a possibilidade de vender alguns de seus ativos no país, para fazer frente ao investimentos necessários nos próximos anos, o executivo disse que a Statoil é “uma empresa que compra e que vende” e que a venda de ativos é “uma coisa muito natural a se fazer”. Mas destacou que o Brasil é um “país central” para a petroleira e uma das áreas mais atraentes para a companhia.

A monetização do gás de Pão de Açúcar é um dos principais desafios para desenvolvimento do projeto, que, assim como Carcará, exigirá a construção de um gasoduto para escoar a produção até a costa. Não à toa, Statoil e Petrobras anunciaram um acordo de cooperação técnica para, entre outros objetivos, estudarem alternativas de monetização de gás.

O presidente da Statoil explica que a parceria com a Petrobras ainda está em fase incipiente, de “definição das áreas de cooperação”. E sem detalhar quando pretende definir uma solução para o desenvolvimento do BM-C-33, sinalizou que o momento exige cautela no desenvolvimento dos projetos.

“Nessa indústria, se você tem pressa, gasta mais. No cenário atual de preços do barril, todo projeto é um desafio. Temos que buscar a solução correta, o escopo de projeto correto”, disse o executivo, que destaca os ganhos obtidos com a otimização da fase 2 de Peregrino, cujo “break-even” (preço mínimo para viabilizar um determinado projeto) foi reduzido de US$ 70 o barril para US$ 40.

Ainda sobre competitividade, Saetre destacou que, frente ao cenário de preços baixos do barril e da redução do caixa das petroleiras, os países têm competido entre si na atração de investimentos e que o Brasil precisa fortalecer seu ambiente de negócios. Esta semana, o executivo se reuniu com o presidente Michel Temer para apresentar as perspectivas de investimentos da empresa no Brasil. E saiu em defesa do fim da operação única da Petrobras no pré-sal, prevista para ser votada este mês, na Câmara.

“A operação exclusiva da Petrobras no pré-sal é algo que precisa ser mudado para trazer oportunidades para outras petroleiras, como nós”, disse. “Somos muito claros de que algumas coisas precisam ser mudadas. Os recursos do pré-sal são muito fortes. Mas é importante [adotar] medidas que possam criar um ambiente para projetos competitivos. Sem o [regime aduaneiro especial] Repetro, a competitividade dos projetos fica numa situação delicada. Precisamos de maior flexibilidade na política de conteúdo local para aumentar eficiência”, completou.

Valor Econômico

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