Acelerar exploração do pré-sal atende a interesses dos EUA

A principal pressão para acelerar a exploração do pré-sal é atender aos interesses dos Estados Unidos, que hoje importam apenas 7% do petróleo que consomem, mas já em 2020 preveem o declínio de sua produção de óleo e gás de folhelho (shale gas). A análise é do ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.

O atual ritmo de exploração do pré-sal é adequado às necessidades brasileiras. Uma produção em menor escala do óleo e gás daria fôlego à Petrobras para enfrentar o problema financeiro que está vivenciando e voltar a investir. “As importações de petróleo em valor muito acima do preço de venda no mercado brasileiro tiveram um impacto muito grande no caixa da Petrobras”, afirmou Gabrie-lli na palestra “Pré-sal, geopolítica mundial e crise brasileira”, no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, esta semana.

Pelas contas de Gabrielli, a Petrobras precisa pagar nos próximos dois anos R$ 196,3 bilhões de juros e amortizações da dívida, mas as projeções de crescimento indicam que ela tem condições estruturais de faturar algo em torno de R$ 848 bilhões até 2021.

No ano que vem, o Brasil será o país que mais agregará à produção mundial de petróleo, com oferta de 300 mil barris adicionais por dia. Para Gabrielli, o pré-sal é um mercado atraente para as empresas estrangeiras, particularmente as norte-americanas. “O pré-sal é imbatível tanto no volume de recursos identificáveis quanto no baixo custo de exploração e consequente produtividade”, disse.

A Petrobras perfurou, por 36 anos, 5.748 poços para extrair 110 barris, em média, em cada um deles. Em águas profundas, levou 23 anos para extrair 1,6 mil barris em cada um dos 392 poços perfu-rados. No pré-sal, em nove anos, já extrai 26 mil barris por dia em cada um dos 25 poços perfurados.

Gabrielli esteve à frente da estatal durante sete anos, de 2005 a 2011, período em que a empresa aumentou a sua produção de petróleo em 33% e os investimentos em 285%. A Petrobras buscou redefinir o seu papel na economia, tendo como estratégia se tornar uma gigante mundial de energia.

Hoje, no entanto, na avaliação do ex-presidente, a perspectiva é de desintegração, com o desmonte da cadeia de fornecedores, desemprego crescente, falências e paralisação dos investimentos. “A perspectiva da Petrobras é só o pré-sal, com a saída dos campos petrolíferos em terra, a venda de alguns campos da Bacia de Campos e da BR Distribuidora”.

Monitor Mercantil